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Gielton


- Seu irmão chega hoje a noite! - Disse mamãe.

Ansiosa, como nunca, me apressou para levá-la de volta para casa naquele domingo à noite. Mesmo sabendo que chegariam tarde, entrou na padaria e saiu de lá com pães e pães.

A sobremesa do banquete de Natal foi preparada na noite seguinte. A turma toda lá em casa derretendo chocolate belga enquanto as línguas afiadas traziam à tona doces lembranças de antigas histórias. Coisas de família. Afetos de pessoas.

A sobrinha, na atual vibe retrô alternativa, contava sobre sua nova moradia na terra da mãe. O terreno para o novo projeto de vida fora da bisavó. Passado e presente reunidos em uma só pessoa.

Era tarde da noite quando o pirex enfeitado de morangos subiu para gelar no frigobar e deixar o sabor curtir de um dia para o outro. As pessoas desceram, depois de curtirem uma deliciosa noite regrada ao sabor das trocas e toques de amor. Era hora de descansar para o próximo dia de festa no reino.

O cardápio da ceia envolvia um pernil, cujo pé foi cortado à base da segueta e a pururuca feita com óleo quente derramado. Novo encontro, cedo pela manhã, para preparar as delícias da noite trouxe ainda mais proximidade, mais intimidade cultivada por longos e longos anos. Nem sempre fluidos como agora.

O pequeno encantador de almas chegou no início da noite com pai e mãe. Dormia como um anjinho. Que pena, estava louco para abraça-lo. Foi melhor assim.

Aos poucos, foram chegando. Cada grupo ou casal, no seu ritmo, trazia as boas energias para a esperada noite de Natal.

Assim foi. Sentamos-nos à grande mesa. Entre queijos, vinhos e gasosas, falamos de tudo um pouco.

- Ainda bem que comungamos de ideais políticos semelhantes. - Comentou outro integrante da família enquanto o assunto do momento era a situação tenebrosa do Brasil.

O neto, agora bem acordado, andava pela casa. Também ia de colo em colo. Já tem um ano e sete meses e conhece todos pelo nome e pelo rosto. Sabe onde é o nariz, a testa, a bochecha... Purrrrr...

Alguém sugere.

- Vamos distribuir os presentes?

Nos reorganizamos diante da pequena árvore piscante de bolas vermelhas e pecinhas de enfeite. Em volta, entre os diferentes tipos de presentes, um se destacava pelo tamanho. O maior de todos era dos dindos para o afilhado, o mais pequenino de nós. Logo que aberto, tomou em suas mãos a ferramenta como se soubesse montar sua bike sem pedais. O sorriso denunciava a satisfação e pleno entendimento da situação.

De embrulho em embrulho, de graça em graça, de alegria em alegria, a cada novo papel esparramado no chão nos enlaçávamos mais e mais.

Menos valia o conteúdo. Mais, a intenção. Essa, sim, coberta de benquerença, fazia do simples, grandes significados, enormes desejos de mais e mais carinhos. Quantos braços se encontraram entre corpos, em abraços mais do que afetuosos naquela noite.

Os pacotes do início, bem arrumados, deram lugar aos papeis de presente espalhados, na mesma proporção da felicidade sem medida do momento.

Hora da ceia?

- Vamos gente, nos sentarmos à mesa novamente!

Que difícil reunir todos. Quando tudo parecia se encaminhar, de dentro da cozinha, ouvia-se choros incontidos de emoção das concunhadas. Uma no braço da outra em um abraço inesperado era o sinal de que algo a mais naquela noite havia acontecido. Uma esperança e um antigo desejo de celebrarmos longe das encrencas que carregam toda e qualquer família.

 

Gielton


Quando a luz submersa traz à tona tons de rosa em degradê. A Terra gira. A bola de fogo lança ondas de luz sobre as águas calmas. A alma flutua.

Bonecos de forte apache escondidos por trás de pedregulhos no quintal vizinho. Podiam se movimentar. Bastava um toque, de imaginação.

Perder-se no entorno das letras. Ir longe, longe no pensamento. Penetrar na história vagando pelos pontos e vírgulas da imaginação.

Deitar-se no chão duro do terraço. Na barriga, criança enjoada pedindo mãe. Cantar para o filete de Lua. Trazer consigo a paz.

A perfeição nas curvas tortas da silhueta da montanha no “entreclaro” do dia. Rabiscos de árvores contrastam com a distância daquilo que os olhos podem escutar.

Deixar doer. Fazer da dor um sentimento pequeno como deve ser. Tornar-se feliz. Por quanto tempo a alma suportar.

Colchões deitados. Siesta familiar. Pequeno encantador de almas a vagar...

De colorido branco, redonda como uma bola, cortando caminho, fazendo atalho no horizonte até se emparelhar no escuro céu noturno.

 
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Um sábado como qualquer outro? Só que não!

Aos poucos, a reunião começa. Escutei o portão se abrindo. Desci para ajudar. Trabalheira carregar tudo ao terceiro andar. Haja escada para subir e peso para sustentar.

Interfone:

- Oi mãe, seja bem vinda!

Interfone de novo. Dessa vez o genro com uma sacola. Nela, refri, suco e umas poucas latinhas de cerveja.

Gosto mesmo é de água com gás para acompanhar os queijos e queijos picotados sobre a tábua. O neto, não sei a quem puxou, come de boca boa qualquer um dos tipos.

As quatro bocas do fogão a todo vapor competem com às nossas bocas e línguas que não param de contar casos. Sorrisos a cada história repetida de anos e anos atrás.

Um banquete, ao modo realeza, é servido à mesa com requintes de crueldade aos de paladar aguçado. Quase como um mea-culpa à gula ativada a cada garfada. As papilas gustativas pululam como pipocas em meio à explosão de sabores. Tudo cuidadosamente preparado pela mulher da minha vida.

Restam-me os pratos e talheres sobre a pia. Confesso que não gosto muito, mas prefiro a ordem após a lavagem. Enquanto os escorredores ficam lotados e gotículas de água pingam lentamente, somos convidados a subir terraço acima.

Pensei, tenho que ser rápido. Quase terminei. Deixei algumas panelas para o filho mais novo. Mais do que justo. Para quem pouco ajuda no almoço, louças são as sobras.

A tarde estava muito quente mas, de quando em vez, soprava um ventinho de fazer inveja a qualquer ventilador. A siesta sobre colchões e tapetes esparramados pelo chão nos deram o conforto e relaxamento para brincar, conversar e rir.

Sogra e nora se empenham no cuidado com as plantas enquanto o neto se esbalda na piscininha debaixo da ducha. Bate pernas, esparrama água pelo chão. Tudo permitido. Passa pela sua motinha e aperta o botão para soar aquela música estridente e repetitiva que só ele curte.

Vez por outra, corre nos meus braços. Deita sobre a barriga e gargalha. Foi o centro das atenções e dos afetos desse sábado que deu seu ar da graça envolvendo a todos. Fortalecendo laços cuidadosamente cultivados ao longo de anos e anos.

Assim, a vida. Um brinde à família.

 

Textos - Gielton e Lorene / Projeto gráfico - Dânia Lima

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