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A VEZ DELES

  • Foto do escritor: Gielton
    Gielton
  • 2 de fev. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de jan.

Gielton


Criança brincando com baldinho na praia


Subimos sós as dunas. Apesar do sol firme no céu, a areia fina nem tão quente estava. Do alto, no horizonte, os olhos encontram o mar, lá ao fundo em degradê de verdes.


Apesar de crescido, é uma criança. Seus bracinhos ainda não envolvem a prancha, por isso ela vem comigo. Levo a mais na mochila o baldinho com pazinhas e moldes. Vim preparado para entreter o menino. Enquanto isso, pulula para lá e para cá. Corre, rola na areia, se levanta, corre de novo, volta e pergunta…


— Vô, o que é duna?


Nem precisei explicar. Estava ali, diante de nós, a experiência pura: aquele areal ondulado em cumes e vales das dunas de Itaúnas.


Minha ansiedade crescia à medida que a praia se aproximava. Queria ensinar meu neto a pegar ondas como fiz com os filhos. Nada de surf, jacaré mesmo. Coisa que só mineiro, amante do mar, conhece.


Alguns passos a mais, no tempo lento e entregue de criança, e alcançamos a praia. Sentou-se na areia, distante da água e com a pazinha começou a cavar.


Fui até o mar averiguar. No raso, marolas fraquinhas faziam cócegas nos pés. Voltei apressado.


— Vamos, José, pegar ondas?


— Não, vô, vamos brincar na areia um pouco.


— Mas o mar está gostoso, sô! Vamos lá! Vai ser legal!


Topou, mas o franzido de sua testa estampava certo temor Notei sua apreensão quando não deixou as águas ultrapassarem a canela. Respeitei. Fui cuidadoso.


Senti sua aflição com o aproximar da onda quebrada. De mãos dadas, avançamos só um pouquinho. Naquele dia, mesmo com medo, deitou-se sobre a prancha; roçando a areia, deslizou muito devagar. Mesmo assim, curtiu.


Dois dias depois, da janela aberta para o mar o vi, com seu pai, à vontade, livre e solto, mergulhando, socando, pulando... Senti o prazer do meu filho orientando o dele a deslizar junto à espuma das ondas.


Como se faz nas primeiras pedaladas, o empurrou por cima da ondinha e soltou a prancha, que escorregou sobre as águas com a criança em urros de satisfação. Os sorrisos refletiam o entusiasmo e júbilo de ambos. O menino parou, desceu, segurou a prancha com as duas mãozinhas e retornou correndo ao mar. Era o ato de “quero mais”...


Voltei no tempo! Assim fruía com os meus, anos atrás. A mesma alegria, o mesmo gozo. Agora é a vez deles com os seus.


De longe, o peito inflado e o nó na garganta despem a emoção. Como um passarinho, ela voa longe, e traz de volta ao ninho o repouso da compreensão. De olhos encharcados encontro a paz do meu lugar de avô!


Assim, a vida. Incitando o esbarrar na gente mesmo.



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1 comentário


Ivantoledo52
06 de fev. de 2023

Parabéns vovô Gielton, que delícia assistir o filho e o neto e se encantar com a alegria de tê-los juntos logo ali ao sabor das ondas sal tirantes. Só alegria ao som de um grito de prazer e encantamento.

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Textos - Gielton e Lorene / Projeto gráfico - Dânia Lima

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